3 coisas muito importantes que você irá aprender em um Escola Militar (e que não estão no currículo)

A formação em uma Escola Militar, como a ESA, EsPCEX e a EEAR vai muito além do que se aprende durante as aulas e instruções previstas no quadro de atividades anual. Além de todas as disciplinas que compõem a grade curricular que o militar irá enfrentar, seja ele um Cadete (futuro Oficial) ou Aluno (futuro Sargento) em formação, as Escolas de Formação contribuem para o desenvolvimento de uma série de habilidades e atributos que, de modo geral, permanecerão com o militar durante toda a sua vida.


Logicamente que existem diferenças e particularidades nas formações realizadas em Escolas Militares diferentes. Por exemplo, muito daquilo que é visto na Escola Naval, certamente não é visto durante a formação do Oficial Combatente do Exército, na EsPCEX e AMAN, porém, existe um núcleo de características que são imutáveis e aplicáveis em todas as formações militares, seja ela no Exército, Marinha ou Aeronáutica, seja em uma Escola de Formação de Oficiais ou Sargentos.


E neste artigo eu separei para você três desses aprendizados, os quais eu considero como os mais importantes (pelo menos para mim) e que levarei por toda a minha vida.


#1 - Rusticidade moral


Talvez você nunca tenha lido esse termo "rusticidade moral" e, sinceramente, eu nem sei se ele existe de fato, porém, ele certamente transmite um aprendizado muito importante que temos durante a formação.


Se você já leu o meu livro, conhece a história da pista de rastejo no meu campo da EsPCEX, onde eu achava que fazendo o instrutor sentir pena de mim ele iria aliviar a minha barra e diminuir a pressão sobre mim. O que faltava para mim, naquele momento, era rusticidade moral, casca, moral na carcaça pra entender que ao invés de tentar fazer o instrutor sentir pena de mim, eu deveria fazer ele ter certeza de que eu estava dando o meu melhor naquele momento.


Mas a formação nos ensina, seja na dor ou no amor (geralmente na dor), que não adianta sentirmos pena de nós mesmos ou acharmos que estamos em uma situação incontornável e que a melhor coisa a fazer é parar de ficar choramingando sobre a nossa falta de sorte na vida. NÃO, isso geralmente não resolve nada! Se tem uma coisa que a gente aprende rápido é que a melhor coisa a se fazer, geralmente, é partir pra cima dos problemas, enfrentá-los com todas as nossas energias, pois a responsabilidade por ultrapassar os nossos medos e os obstáculos que surgem na nossa frente é nossa, totalmente nossa e não devemos fugir disso.


E durante a formação, como somos colocados a frente de inúmeros obstáculos, sejam eles intelectuais e/ou físicos, aos poucos entendemos que se quisermos, se realmente focarmos as nossas energias e confiarmos em nós mesmos, nós temos a força para superar tudo, absolutamente tudo. Não somos invencíveis ou super-homens, porém, somos mais fortes do que imaginamos.


#2 - Viver em grupo (coletividade)


Em primeiro lugar, quero te contar logo a verdade: coletividade é uma m#rda! Acordar de manhã, durante 5 ANOS DA SUA VIDA (no caso da EsPCEX e AMAN), e ter que entrar numa fila para fazer a barba, tomar banho e até mesmo para fazer as suas necessidades, não ter privacidade em praticamente momento algum e ter que conviver com pessoas que, geralmente, são muito diferentes de você, é horrível! É horrível, mas é bom!


Isso mesmo, a coletividade nós dá a oportunidade de termos aprendermos coisas que só poderiam ser entendidas dentro daquele contexto e de forma prática, ou seja, você não tem como aprender em um livro, em um aula. Aliás, isso é tão verdade que nos nosso 5 anos de formação, todos os anos mudamos um pouco o nosso círculo de convivência por conta das movimentações que são feitas. Por exemplo, na EsPCEX nós convivemos com os companheiros da nossa companhia e nos acostumamos com eles, daí ao sermos movimentados para a AMAN, os integrantes das companhias mudam completamente e você se vê obrigado a refazer o seu círculo de amizades e de se readaptar aos novos camaradas. E isso se repete praticamente ao longo dos 5 anos, pois, ao mudar de ano, o cadete também muda de companhia e vai para um novo alojamento, onde, novamente, a disposição dos cadetes nos apartamentos foi alterada e "misturada".


Isso, logicamente, poderia ser evitado, porém, certamente é feito de propósito, para dar a oportunidade dos cadetes da mesma turma se conhecerem melhor e também para permitir que essa constante adaptação forneça as oportunidades que o cadete precisa para se desenvolver neste importante atributo da área afetiva, a sociabilidade.


E isso gera um amadurecimento gigantesco ao longo do processo em todos os cadetes, pois, na medida em que somos obrigados a conviver sempre com pessoas diferentes e em situações diferentes, aprendemos também a trabalhar melhor em grupo e a respeitar também as opiniões e formas de pensar dos demais. Somos obrigados (e isso é muito bom) a deixarmos de ser egoístas e passarmos a pensar mais no grupo, na coletividade, sabendo que da mesma forma que em vários momentos teremos que nos doar para ajudar alguém, em muitos momentos também seremos ajudados.


E essa experiência, a meu ver, é completamente diferente da experiência de viver em grupo em um ambiente civil (e eu tive essa experiência durante o meu período na faculdade), pois o grande diferencial aqui é que somos submetidos, coletivamente e individualmente, a uma série de atividades e exigências altamente desgastantes e, muitas vezes, levados a momentos em que temos que "aprender na dor" a trabalhar em grupo ou todo o grupo irá arcar com as consequências.


#3 - Liderança


Se eu pudesse resumir, em uma frase curta, tudo aquilo que aprendi na minha formação sobre liderança, diria:


Liderar é dar o exemplo!

Parece simples e, na verdade, é mesmo, porém, existe uma montanha colossal a ser escalada entre o falar essa frase e o praticá-la. E é nessa montanha que somos postos a subir, dia após dia, em nossa formação militar.


As lições de liderança na EsPCEX e, principalmente, na AMAN, vão muito além de instruções teóricas sobre o tema. Lá, temos a oportunidade de liderar e sermos liderados, em inúmeras situações que vão desde as atividades corriqueiras do dia a dia escolar, até situações em que somos submetidos a altos graus de estresse e cansaço (físico e mental).


E, certamente, eu não poderia falar melhor sobre liderança do que o Cel Hecksher, uma referência no assunto no Exército Brasileiro e que já participou diretamente, como instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras, da formação de milhares de Oficiais e que, inclusive, hoje atuam nas mais altas funções estratégicas da Força Terrestre.


Se você quer ser um militar, não deixe de ver a entrevista abaixo, totalmente inédita e exclusiva, onde tive a honra de conversar com estre grande e valoroso brasileiro (não esquece de se inscrever lá no nosso canal!).

FÉ NA MISSÃO!

1º Ten Thiago Henrique - CEO Elite Mil

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